Os Números do Jogo - Resenha crítica - Chris Anderson
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

0 leituras ·  0 avaliação média ·  0 avaliações

Os Números do Jogo - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.modo_copa e Esportes

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 978-1-101-62887-4

Editora: Penguin Books

Resenha crítica

Os Números do Jogo: Por que tudo o que você sabe sobre futebol está errado

Você assiste ao jogo do seu time, sofre cada lance, comemora cada vitória como mérito puro do treinador genial que colocou aquele esquema em campo. E se eu te dissesse que quase metade do resultado de qualquer partida é, friamente falando, sorte? Não palpite de torcedor amargurado. Matemática.

Chris Anderson, ex-goleiro alemão que virou cientista político, e David Sally, ex-arremessador de beisebol que virou economista comportamental, decidiram tratar o futebol como tratam dados sérios. Aplicaram estatística, teoria econômica e modelos de previsão. O que encontraram derruba quase tudo que os maiores comentaristas repetem aos domingos.

Os números mostram que o pior jogador define mais que o melhor. Que evitar gols rende mais pontos que marcá-los. Que demitir treinador no momento ruim é, quase sempre, ilusão estatística. E que o futuro do esporte não está nos botecos, está nas planilhas. Você está prestes a olhar para o jogo bonito com lentes muito mais frias — e muito mais reveladoras.

O esporte do cara ou coroa

Imagine um economista russo no início do século 20 contando quantos soldados prussianos morriam por coices de cavalo. Ladislaus von Bortkiewicz percebeu que esses acidentes raros seguiam um padrão matemático preciso: a distribuição de Poisson. Décadas depois, descobriu-se que gols de futebol obedecem exatamente à mesma fórmula. Eventos raros, espalhados no tempo, previsíveis no longo prazo, caóticos a cada partida.

E gols são raros mesmo. A média histórica é de um gol a cada 69 minutos de jogo. Compare com o basquete, onde a cesta cai sem parar, ou com o futebol americano, onde os favoritos vencem com folga estatística. No futebol, as casas de apostas mostram que o favorito ganha pouco acima de 50% das vezes. Praticamente um cara ou coroa.

Esse equilíbrio brutal não é defeito, é assinatura do esporte. O preparo físico globalizou, as táticas defensivas viajaram do catenaccio italiano para o mundo inteiro, e os times de elite ficaram estatisticamente quase idênticos. As goleadas históricas sumiram. O drama veio justamente daí: quando o gol é escasso, cada lance vira tragédia ou epifania.

A desproporção financeira das redes

Nem todo gol vale o mesmo. Parece blasfêmia, mas a matemática é cristalina. O primeiro gol tira um time do zero. O segundo, em muitos casos, garante a vitória. O terceiro e o quarto, num jogo já decidido, são quase decorativos para a tabela.

É por isso que Darren Bent, atacante operário que marcava o gol decisivo de times médios na Inglaterra, gerava mais pontos por gol do que Fernando Torres em suas goleadas pelo Liverpool. O mercado de transferências paga fortuna pelo artilheiro de goleada e ignora o cara que faz o 1 a 0 sofrido. Erro de precificação clássico.

Pior: evitar um gol pesa ligeiramente mais que marcar. Um clean sheet rende mais pontos médios do que sair na frente e tomar o empate. Por isso o chamado Princípio de Maldini é tão revelador — o zagueiro perfeito quase nunca dá um carrinho, porque antecipou tudo. É excelência invisível. Nosso cérebro sofre de omission neglect: aplaude o gol espetacular e ignora o desarme que não aconteceu porque o zagueiro já estava no lugar certo. A regra dos três pontos por vitória, criada por Jimmy Hill para estimular o ataque, na prática premiou o cinismo, as faltas táticas, o jogo travado. O duelo ideológico entre César Luis Menotti, da esquerda romântica do ataque total, e o pragmatismo defensivo da direita foi vencido pelos números — e a direita estatística ganhou.

Mentiras territoriais e táticas de trincheira

Posse de bola virou fetiche. Mas os autores derrubam o mito: o futebol não é jogo de posse, é jogo de turnovers. De perdas de bola. Cada jogador toca na bola, em média, cerca de 53 segundos no jogo inteiro. O resto é movimentação sem bola, marcação, reposicionamento.

A posse só vale como mecanismo defensivo — manter a bola significa não estar exposto a contra-ataque. E times que coordenam a posse coletivamente, mantendo alta precisão de passes e baixa taxa de perdas em zonas críticas, terminam a temporada com vantagem matemática consistente sobre os adversários. Não é o toque individual bonito, é a engrenagem do grupo que reduz erros sob pressão.

Por isso táticas rústicas funcionam tão bem. O Stoke City de Tony Pulis derrubava o tempo efetivo de bola rolando com os arremessos longos de Rory Delap, transformando lateral em escanteio. Charles Reep, o pioneiro analítico dos anos 50, já defendia a bola longa como eficiência pura. Quebrar o ritmo do adversário técnico é tática de guerrilha: você não enfrenta o gigante no jogo dele, você muda o jogo. Para um time de orçamento modesto, isso vale ouro.

Orçamentos, anomalias e o efeito do elo frouxo

A folha salarial prevê a tabela com precisão assustadora. Quanto mais o clube paga, melhor coloca. Mas existem fissuras — e é nelas que mora a sobrevivência dos pequenos. O Wigan Athletic de Roberto Martínez fugia do 4-4-2 tradicional, usava defesa de três, apostava em chutes de longe e contra-ataques verticais. Guerrilha analítica pura contra a gravidade financeira da Premier League.

Aqui entra a tese mais poderosa do microbook. Michael Kremer, economista de Harvard, analisou o desastre do ônibus espacial Challenger e formulou a teoria do O-Ring: em sistemas onde tudo depende de tudo, o resultado é limitado pela peça mais frágil. Um anel de borracha de poucos dólares derrubou um foguete de bilhões.

Basquete é jogo de elo forte — uma superestrela como LeBron carrega o time. Futebol é o oposto: jogo de elo mais fraco. Análises de regressão provam que melhorar o 11º jogador do elenco gera mais pontos e melhor saldo de gols ao longo da temporada do que comprar um craque para reforçar o já bom. O zagueiro Zurab Khizanishvili teve uma tarde catastrófica pelo Reading que custou milhões em rebaixamento. Foi o elo frouxo arrastando tudo. Os Galácticos de Florentino Pérez no Real Madrid falharam por isso — empilhar Zidane, Figo, Beckham e Ronaldo não conserta as engrenagens fracas embaixo.

Como blindar o calcanhar de Aquiles do time

O técnico inteligente sabe quem é seu pior jogador e age. Esconder não funciona. Os dados de cartão vermelho mostram que jogar com dez homens derruba drasticamente a expectativa de pontos — e tentar esconder o elo fraco no fundo do campo gera efeito parecido. A equipe se desfigura sozinha.

Bret Myers, pesquisador americano, criou a regra <58<73<79: o técnico em desvantagem deve fazer a primeira substituição antes dos 58 minutos, a segunda até 73 e a terceira até 79. Quem segue esse timing aumenta a chance de reverter o placar. Quem espera, perde. Foi o que aconteceu com o zagueiro israelense Haim Megrelishvili, sacado precocemente pelo Vitesse — desconforto pessoal, decisão correta.

E há um truque psicológico precioso. O Efeito Köhler, descoberto pelo psicólogo alemão Wolfgang Köhler, mostra que pessoas medianas elevam seu desempenho quando trabalham ao lado de gente excelente e comprometida. Cercar o elo fraco de jogadores focados o faz render acima da própria média. Pressão coletiva silenciosa, sem grito do técnico.

A síndrome da salvadora chicotada demissionária

Quanto pesa o treinador? Estudos comparando técnicos de futebol a CEOs das companhias da FT Global 500 chegaram a um número desconfortável: entre 15% e 20% do desempenho final do clube. O resto é folha salarial, sorte e estrutura. Não é nada. Mas está longe do mito do messias.

Os dados também detonam outra crença sagrada: a portabilidade do talento. Boris Groysberg estudou estrelas de Wall Street que trocavam de banco e descobriu que raramente mantinham o desempenho — porque deixavam para trás equipe de apoio, processos, contexto. André Villas-Boas chegou ao Chelsea como o jovem prodígio do Porto e fracassou exatamente por isso. Levou o nome, não levou o ecossistema.

E o pior autoengano: a chicotada psicológica. Cartolas demitem treinador no fundo do poço e o time melhora. Vitória da decisão, gritam todos. Mentira matemática. É regressão à média — o time estava jogando abaixo da própria capacidade e voltaria a render de qualquer forma. A demissão só pega carona no movimento natural. Jimmy Davies, lenda do Waterloo Dock AFC nos campos pelados de Liverpool, ganhava títulos sem saber estatística. Hoje, sem ela, ninguém ganha nada na elite.

A ditadura dos dados e o colapso dos absolutistas

O futuro chegou e ele veste GPS. As camisas e chuteiras já carregam sensores — a Adidas testou a tecnologia em parceria com a MLS, e o rastreamento contínuo virou padrão na elite europeia. Não se medem mais finalizações e passes. Mede-se geometria: como o time ocupa o espaço, qual a densidade da rede de passes, qual a velocidade vetorial de cada movimentação.

Valeriy Lobanovskyi, o mestre ucraniano do Dynamo Kiev, já via o time como sistema cibernético nos anos 70. Estava décadas adiantado. Agora o que ele intuía vira fluxo contínuo de dados. E isso reescreve o mercado: zagueiros e goleiros, hoje subvalorizados em relação a atacantes, terão seus salários corrigidos quando os clubes enxergarem o peso analítico real do setor defensivo.

A vítima maior dessa revolução será o manager autocrático e onisciente — figura que mandava em tudo, do elenco ao corte de grama. Esse cargo está morrendo. No lugar entram diretorias colaborativas, cientistas de dados, analistas de vídeo e diretores esportivos guiados por algoritmo. As margens de crescimento são estreitas — uma liga produz, em média, cerca de mil gols por temporada e esse número mal oscila. Ganhar nessa estabilidade exige cirurgia, não intuição.

O jogo que ninguém vê

A verdadeira partida acontece fora do gramado, em planilhas que ninguém aplaude. Quem ignora os números entrega a vitória ao acaso e ao orçamento alheio. Quem domina a matemática transforma elo fraco em pilar, defesa invisível em pontos e regressão à média em vantagem estratégica. O futebol não ficou menos belo. Ficou mais honesto.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Chris Anderson é o dono do TED, uma organização sem fins lucrativos que fornece palestras baseadas em ideias e realiza uma conferência anual em Vancouver, no Canadá. Depois do internato em Bath, Inglaterra, ele passou para a Universidade de Oxford, formando-se em 1978 com um diploma em filosofia, política e economia. Chris então atuou como jornalista, trabalhando em jornais e rádio, incluindo dois anos produzindo um serviço mundial de notícias nas Ilhas Seychelles. De volta ao Reino Unido em 1984, Chris foi cativado pela revolução do computador pessoal e se tornou um editor em uma das primeiras revistas de computadores do Reino Unido. Em 1994, Chris mudou-se para os Estados Unidos, onde construiu a Imagine Media, editora da revista Business 2.0 e criadora do popular site de... (Leia mais)

David Sally é economista comportamental e estrategista, doutor em Economia pela University of Chicago Booth School of Business. Lecionou negociação e liderança na Johnson School de Cornell e na Tuck School of Business de Dartmouth. Em 2011,... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?